domingo, 14 de março de 2010

Lisboa

Fico em Lisboa para estar mais perto de ti... sei que é aqui que estás... perdida de mim... Na solidão descubro a minha companhia... e aprecio a tua... enquanto desvendo Lisboa aos meus olhos... uma musa... tu... que aqui estás algures... perdida de mim...

(Por vezes da solidão e dos sonhos desperta-se em nós a luz de saber viver... aproveitando o que o mundo nos dá... mesmo quando julgamos que não é suficiente... e perceber que somos para os outros como eles são para nós... fontes de inspiração constante... por isso gosto de existir... gosto que tu existas... e tu... mesmo que não estejas... e tu que já estives... e a ti que não te conheço...
Se um dia alguém sorrir por mim... ou para mim (quanto melhor)... já valeu o facto de alguém um dia nos ter dado uma identidade... bem como todas as lágrimas que a ajudaram a criar nos entretantos de uns quantos sorrisos...)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Interlúdio

Sei do gostas em mim... procuras ver-me a tua sombra... um reflexo oposto ao que queres ver em ti... as resposta das tuas procuras... minhas... e que elas te salvem do reflexo que vês em mim... o meu lado negro que te permite brilhar...um caminho paralelo... separado na encruzilhada da escolha que nos uniu para sempre...

Eu sei que estás... mais do que poderia pedir... conheces-me as lágrimas só com uma palavra... deixas fugir o sorriso nas tuas... como se fosse a última... ou única coisa que existisse antes do teu abismo... ou do meu... porque no pêndulo confundimo-nos...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Observações

Observo... é isso que faço a maior parte dos dias nesta fase da minha vida. O observo as pessoas que se deslocam no bulício da cidade... aqueles que todos os dias se sentam as minha volta para almoçar, todos os dias caras diferentes, desvendando-se uma vez por outra alguma mais familiar, e destes não oiço as conversas, limito-me a ler, interpretar e imaginar o que pensam, o que dizem, o que sentem... aqueles que se passeiam no ginásio dos quais estou alienado por força da música... aqueles com que me cruzo nas ruas e no trânsito... todos eles são dignos da minha observação, distante como se fosse uma massa quase inerte que se passeia no universo... sem interacção... sem pertencer... longe das confusões e desatinos de outras alturas... outras lutas... deixo apenas correr em mim o que o mundo me dá... fugindo para onde a imaginação me leva...

Diferente são aqueles que me entram no gabinete, a esses observo-os de outra forma, ouço as suas conversas, as suas histórias, sei o que sentem, acompanho a "estórias" da sua decadência... confidenciam-me alguns segredos... Observo... interajo profissionalmente e esforço-me por dar o melhor de mim... mas por outro lado fico distante... gravo e recordo as conversas... sinto-as nas minhas introspecções e catarse... imagino, projecto... tenho medo...

Hoje tive medo de acabar sozinho, quando entrei num corpo de 94 anos, imaginei o que seria, não que seja assim tão diferente por vezes da maneira como me sinto, mas a imagem de ver desabar tudo o que se constrói, a família, os amigos, o trabalho, a energia, a saúde, a vida... lentamente enquanto se fica como um pilar após um terramoto... sem estrutura... cada vez mais sozinho... à espera da última réplica, arrepia. Por outro lado senti a perfeição do ser humano, a sua capacidade de mudança e aceitação à ultima moratória... da alienação de que todo o dia pode ser o último, mas que pouco importa porque o que se perde é cada vez menos.
...Uma vez, um dos meus observados, alguém que não lhe identifiquei grandes estudos e filosofias além daquela que a vida lhe ia demonstrando (que convenhamos é na maioria das vezes mais precisa longe dos conhecimentos científicos), disse, literalmente - "Ó doutor nós somos uma máquina do caraças, isto quando é para ir vamos perdendo, vamos perdendo, até que nos vamos sem levar saudades disto.É verdade. Quando chegar à minha idade vai ver." - espero que sim caro amigo, mas dou-lhe desde já razão...

Todos os dias se repetem as "estórias", todas diferentes, vividas, contadas sentidas à maneira de cada um... isso dá-me gozo... da-me prazer cada vez que sei que vou conhecer uma nova pessoa... uma nova vida que observo e aprendo... diferente da exaltação do "ego" que geralmente me inspira... ou das musas que crio do nada... ou das coincidências... afinal andei distraído...

...Diferente são os outros que apenas observo... esses não me ensinam... iludem-me e obrigam-me a entrar em mim... querer respostas... perceber o mundo e as suas constantes... o que juntas as pessoas??? o que as move??? o "de onde vim e para onde vou..." e todas as perguntas que se repetem em "loop" a quem não se conforma em saber viver "apenas" com o que alcança... "quem anda com os pés um pouco levantados do chão"... mas essas são respostas que encontrarei, quem sabe, noutro contexto... quando perceber a essência da "perfeição" da máquina humana...

Mas tudo isto dá vontade, de plagiando a citação da última das musas platónicas que, com todas as outras, me tem inspirado nos últimos dias:

"(...)sugar todo o tutano da vida,
para um dia não descobrir que não vivi."
(Henry David Thoreau)

E todos os dias assim acordar...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Prima Donna (Porque sim...)

Sim... às vezes basta-se respirar para nos apaixonarmos... cruzamo-nos na rua e deixamos entrar em nós toda a essência de um perfume estranhamente familiar que se sente pela primeira vez... como se fosse uma arma de destruição maciça ao nosso ser... Acontece por magia... ou milagre... ou então apenas porque sim... porque era esse o desígnio... não dos deuses... talvez da vida... ou melhor... porque é apenas a minha vontade... sim, talvez seja apenas isso...enquanto...


...Desces a rua em direcção a mim... não me conheces neste caminho... já nos teremos cruzado antes?!... nesta rua sou apenas mais um dos que na obliquidade te apreciam e... por segundos... no meu caso O instante... prendem o olhar antes de seguirem o seu caminho... num suspiro profundo de quem viu a perfeição...

...Não me conheces nesta vida... mas sabes como penso e sinto... desvendas o meu sorriso num qualquer som... mas não o meu rosto... não a mim... apenas o “eu” imaginado... Esse que não tem defeitos... não gagueja.. não roboriza na tua presença... não te olha de esguelha mas enfrenta-te... cru... simples como gostas... não aprecia o teu andar nem a tua beleza... apenas sabe que a tem com ele... um alter ego.. ele... de mim... a beleza... a tua... que não se vê...e tu...


...Não sei porque apareceste. Não estava à espera e apanhaste-me desprevenida... e na dúvida. Não sei mais o meu caminho. Mas porquê agora??? Perdi-me no passado e ao me ao julgar-me em casa apareces e mexes...Estou farta destes olhares famintos cada vez que desço a rua... Espera... não és tu?! Pensar que não te conheço... mas chegaste a mim como se já o fizesses à anos, num normal e quotidiano entrar em casa e..."Olá cheguei..." Tenho medo. É tudo demasiado simples...


...Foi isso que me encantou em ti... a tua genuinidade... seres tu sem medo de ninguém... não te perceber e deixar-me dominar... e ao abrir os olhos lá estás... tu... que não te conheço...às vezes não é preciso amar... basta sentir a ilusão ou dúvida para se viver no limbo... desse animal que não se dá ao respeito... o amor... e que às perguntas apenas responde... porque sim...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Prima Donna (Vícios...e excepções!)

Não fumo. À excepção das noites de abuso, nunca fumei. Não fumo porque não gosto, ou então porque o vicio não me pegou ao contrário de outros. Não gosto, por sistema, de mulheres que fumam por sistema ou sistematicamente a toda a hora, mas confesso a saudade de um desses beijos daquelas noites alienadas. Do hálito regado a cerveja ou whisky, por mim, talvez a beirão ou, melhor ainda, a vodka preta nos teus lábios, na tua língua, ou de um qualquer cocktail sofisticado nas tuas crises de glamour, por ti, dos corpos suados de toda uma dança de engate que se consuma. O ósculo no vícios do proibido, do ilícito, do irreal.

Não fumo. Não gosto do cheiro. À excepção daquele que fica no acordar de um quarto desconhecido, ou conhecido demais, desconhecendo-se na ressaca. Não gosto. À excepção de quando ele se entranha, nesse acordar, na pele, no corpo, misturado com um qualquer perfume que ontem me tinha chamado atenção, nas roupas espalhadas pelo chão. À excepção do teu cabelo que já perdeu a essência de ontem, onde foi pretexto para me encostar a ti e provocar-te junto ao ouvido, as palavras que me levaram àquele quarto, que não conheço com as roupas espalhadas pelo chão com um corpo, o teu, que conheço como meu, com aquele cheiro que excepcionalmente aceito com fascínio.

Não fumo. Não gosto que fumem ao pé de mim. Excepto quando fumas na cama, e eu deixo, depois de te deixar saciada em todas as outras dimensões de ti, sendo o cigarro o que resta para a tua total felicidade, antes de se repetir. Excepto quando estás nos meus braços, e és minha, e sou teu no vício de ti, nos teus vícios.

Não fumo. Não gosto de tabaco. Não gosto do cheiro. Não gosto que fumem ao pé de mim. E continuarei a não gostar, à excepção de gostar de ti.

terça-feira, 2 de março de 2010

Prima Donna (To be continued...)

Já não me recordo como é que se desperta a paixão, como nasce ou se sente, apenas me lembro como desaparece...

... foi isso que deixaste em mim... um lastro de ausência e vazio... no corpo... na alma... no sentir...

Tento imaginar como é esse encontro de uma conjuração cósmica e surreal ...ou o reencontro de ti... o que me leva a duvidar que tal exista, se não mais do que numa contextualização mundana da circunstância real. Pergunto-me se te reconhecerei no instante ou se divagarei dias ao teu lado sem me dar conta que estás, não desvendando a ambiguidade da mudança que te tornou a ti no eu que procuro.

Não sei o que é parar o olhar em ti e viajarmos os dois para longe, parados naquele instante. Não recordo das frases que iniciam conversas e que me aproximam de ti. Lembro-me do toque, sim, lembro de tremer por um todo ao mais suave toque inesperado, sim disso lembro-me, é físico e isso não levaste de mim mais do que o teu corpo. E um beijo? Como será o primeiro beijo agora que a prática nos ensinou a explorar todos os segredos em frente a um outro "espelho"? Falo de amor, não de uma qualquer loucura de uma noite ou de um conflito fisiológico partilhado, disso sim eu lembro-me, agora o amor num primeiro beijo... já não sei.

...tudo porque o que no passado deixaste em mim foi... um lastro de ausência e vazio... no corpo... na alma... no sentir...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Prima Donna (ensaio ao reencontro)...

Imagina que te encontro num caminho desconhecido. Dizem que é assim que se encontram as pessoas, quando andamos perdidos. Ou então imagina que nos conhecemos há muito, sem nos conhecermos de todo ao pormenor dos rostos com movimento, da análise profunda do que vai além das palavras ou simplesmente o som dessas mesmas palavras, mas apenas o rosto numa foto presa e essas palavras estáticas num ecrã ou quando muito com um som de fundo que me dás a conhecer. E nisto descubro todo o pormenor da tua (da minha) essência parada que passa nesse ecrã em frente ao qual deixamos correr os nossos dias, que seguem à espera uns dos outros, que correm inócuos na coragem de te seguir. Acho que tenho (tens) medo do movimento, do imprevisto, do não ter tempo para medir as palavras ou a música com a qual queremos sentir e partilhar – ou ensinar.

Conhecemo-nos parados, num outro dia qualquer, talvez num desses caminhos que não conhecíamos, num acto inocente como tantos outros, e assim nos encontramos, parados, sem nos vermos nos olhos e agora não sabemos viver de outra forma. Ou talvez... mais do que a vontade do reencontro, a fuga do medo, nasça em nós o instante, como li nesse ecrã um dia, “para pensarmos uma vida”...