sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Espelho...

Falta-me o momento... em que paro e escrevo-te... confio mais nas palavras que nas imagens... na indefinição dos seus contextos... na duração em que persiste o momento em que surgem... no seu explorar e recriar... como se fosse uma imagem detalhada... mas sentida...
Sempre tive medo do universo por me reduzir ao nada... a um momento sem palavra no mundo... um instante de um todo que desconheço... e para mim menos de mim... na inconsciência do ego que me alimenta mais do que um universo... quero o mesmo para ti... tornar os teus olhos (qual lugar comum) no meu mundo... e neles viajar... algo que prefiro que a contrastante viagem pelo universo... talvez isto diga de mim o que ficou... o amorfo de uma ilusão narcisa... confundindo-te nesse amor próprio e egoísta de quem já esqueceu o toque... o beijo... ou paixão...
...e em mim repousa a imagem do dia-a-dia... sem contraste nem palavra... no envelhecer do olhar... do sorriso... gasto num espelho inócuo para uns olhos que nele já nada desvendam... enquanto não me libertar de mim... não te terei ao meu lado... porque não te procuro... idealizo-te na perfeição errónea do ego que vejo em mim... que tal como eu não existe... que não de uma forma exacerbada de imaginar...
E a ti... mais do que uma imagem... uma voz... a palavra e o toque que me despertam para o mundo... sem medo do universo por conhecer causa maior...