Não fumo. À excepção das noites de abuso, nunca fumei. Não fumo porque não gosto, ou então porque o vicio não me pegou ao contrário de outros. Não gosto, por sistema, de mulheres que fumam por sistema ou sistematicamente a toda a hora, mas confesso a saudade de um desses beijos daquelas noites alienadas. Do hálito regado a cerveja ou whisky, por mim, talvez a beirão ou, melhor ainda, a vodka preta nos teus lábios, na tua língua, ou de um qualquer cocktail sofisticado nas tuas crises de glamour, por ti, dos corpos suados de toda uma dança de engate que se consuma. O ósculo no vícios do proibido, do ilícito, do irreal.
Não fumo. Não gosto do cheiro. À excepção daquele que fica no acordar de um quarto desconhecido, ou conhecido demais, desconhecendo-se na ressaca. Não gosto. À excepção de quando ele se entranha, nesse acordar, na pele, no corpo, misturado com um qualquer perfume que ontem me tinha chamado atenção, nas roupas espalhadas pelo chão. À excepção do teu cabelo que já perdeu a essência de ontem, onde foi pretexto para me encostar a ti e provocar-te junto ao ouvido, as palavras que me levaram àquele quarto, que não conheço com as roupas espalhadas pelo chão com um corpo, o teu, que conheço como meu, com aquele cheiro que excepcionalmente aceito com fascínio.
Não fumo. Não gosto que fumem ao pé de mim. Excepto quando fumas na cama, e eu deixo, depois de te deixar saciada em todas as outras dimensões de ti, sendo o cigarro o que resta para a tua total felicidade, antes de se repetir. Excepto quando estás nos meus braços, e és minha, e sou teu no vício de ti, nos teus vícios.
Não fumo. Não gosto de tabaco. Não gosto do cheiro. Não gosto que fumem ao pé de mim. E continuarei a não gostar, à excepção de gostar de ti.
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