Imagina que te encontro num caminho desconhecido. Dizem que é assim que se encontram as pessoas, quando andamos perdidos. Ou então imagina que nos conhecemos há muito, sem nos conhecermos de todo ao pormenor dos rostos com movimento, da análise profunda do que vai além das palavras ou simplesmente o som dessas mesmas palavras, mas apenas o rosto numa foto presa e essas palavras estáticas num ecrã ou quando muito com um som de fundo que me dás a conhecer. E nisto descubro todo o pormenor da tua (da minha) essência parada que passa nesse ecrã em frente ao qual deixamos correr os nossos dias, que seguem à espera uns dos outros, que correm inócuos na coragem de te seguir. Acho que tenho (tens) medo do movimento, do imprevisto, do não ter tempo para medir as palavras ou a música com a qual queremos sentir e partilhar – ou ensinar.
Conhecemo-nos parados, num outro dia qualquer, talvez num desses caminhos que não conhecíamos, num acto inocente como tantos outros, e assim nos encontramos, parados, sem nos vermos nos olhos e agora não sabemos viver de outra forma. Ou talvez... mais do que a vontade do reencontro, a fuga do medo, nasça em nós o instante, como li nesse ecrã um dia, “para pensarmos uma vida”...
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