segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A tua voz...

Não há dia em que não ouça a tua voz dentro de mim... que não a recorde e sinta como presente... no caminho de uma lágrima que se solta em direcção ao nada...
Sinto-a nesse nada que é o silêncio que fica quando paro de fugir de ti... da tua voz... que agora grita bem alto dentro de mim... lembrando-me a angústia... e numa outra lágrima... a saudade... o meu nome... que me lança no abismo... e em lágrimas... sempre que o ouço na tua voz... recordando em mim todos os sonhos... os projectos... a vida... o nada com que hoje acordei... o mesmo de tantos outros dias...
Por isso falo... desmesuradamente... sem nexo... desnecessariamente... sem contexto... falo por falar... na ilusão de te calar... à tua voz... dentro de mim... não recordar o teu nome... não recordar o meu... na tua voz... resignando-me assim ao meu presente... onde de ti... e dos sonhos... apenas resta a tua voz... ilusória e assombrada a um resto de mim...
A tua voz é o zero absoluto do meu silêncio... é o nada que fica quando tudo pára... é a máquina do tempo que me recorda o que perdi... ora me dá a esperança para continuar à procura... de mim...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Interlúdio

Sabes há dias em que sinto saudades tuas... quase todos é verdade... embora haja aqueles dias em que chega a ser angustiante sentir a tua falta... saudades de pouco... do muito que é a tua simples companhia... de te poder tocar... sentir o teu perfume... estar apenas a olhar para ti... no vazio do tempo... sem que este me persiga e castigue com o inútil passar dos dias... sem partilhar... sem viver de facto no mundo que se quer... resignando-nos ao que ele nos traz... De tudo o que vai e vem no seu passar... tu foste e és o que mais lamento ter partido... e o que mais anseio chegar...
Sabes há dias em que tu deixas de ser um fantasma ausente e passas a ser produto de uma representação imaginada no vazio das coisas... que não é do tempo nem do espaço... és dentro de mim a esperança e a alegria de não te ter perdido no meu âmago... e naquele momento... naquele suspirar lá estás tu... em que quer que seja que visualize...
Sabes há dias que anseio que sejas o sol que chegue e me tire da noite... no escuro há demasiadas estrelas onde nos procuramos encontrar... que não veria se te tivesse... que não repararia se não estivesse perdido... na escuridão... afinal o que se procura é o lugar ao sol... não o lamento melancólico do canto das estrelas... belo talvez... solitário demais...