terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Néon... (Introdução aos comportamentos padronizados)

Não sei se acredite nos teus olhos ou nos teus actos... não sei se duvide do teu sorriso ou ateste verosimilidade às tuas palavras... não sei se me ofusque no teu brilho ou me perca na tua essência da escuridão... não sei se te afastas com medo de mim e da viagem que aí vem... ou se te aproximas para me deixares no chão na crueldade da posse que alimenta o Ego... não sei se quero saber as respostas... ou se é apenas o jogo que me cativa a levantar perguntas...
....as desilusões... e mais ainda os déjá-vu introspectivos... tornaram-me incrédulo face à imprevisibilidade dos sentimentos humanos... e criam um mundo intuitivo fase a comportamentos passados... sem surpresas que mais não sejam resultados de uma conjuntura favorável a um comportamento... já vivido e sentido...
.... a dúvida relança nela própria a incapacidade de acreditar no que escrevo... e não acreditando fica a dúvida de um mundo diferente.... de um sentimento de rotura que há muito deixei de acreditar...

A frieza deste mundo paralisa-me mais que qualquer inverno glaciar... faz fugir de mim a paixão... a luta... o arrepio (quente) na espinha a pedir mais minutos da tua companhia ou desespero angustiante quanto tu não vens... faz-me querer desaparecer depois de te ter encantado com magia... apenas pelo facto de nada termos ao certo a não ser a certeza que um de nós desaparecerá na conjuntura... no vazio que resta dentro de cada um de nós depois da descoberta...
... a dúvida fica na presença de tudo o que não se explorou... e da dúvida o desejo... e com o desejo o frio de não termo quem nos descubra...


Música: http://www.youtube.com/watch?v=i_M5cNcRcMk&feature=related

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ensaios sobre a Ilusão

Vivo na ilusão... de um mundo que imagino e crio desfasado do real... sem sensibilidade e clarividência para os sinais e para os outros... num acto louco da procura infame ti...

Sem te conhecer nem saber onde estás... imagino-te um ser idílico... capaz de criar em mim a alienação ao mundo... ao ego e a tudo... ora te prostituo sem vaidade por um sorriso ou um olhar mais demorado... confundindo-te ao virar da esquina... ou num simples acto de simpatia profissional... ou na ignorância da não repetição do sorriso ou do tal olha demorado... a ignorância tem em mim o efeito da espiral rejeição romântica da solidão...

Dou-me ao ridículo da solidão nessa procura... criando as ilusões onde vivo... recriando nelas as amizades que o espaço e o real afastou de mim nas transições temporárias da vida...e que me fazem falta... e concretizam o real... onde talvez não sentisse tanto a tua falta...

Mesmo estas palavras... que escrevo para alimentar o ego... ou num desespero que tu as leias e sintas como eu... e percebas o quanto te quero... ou te procuro... o querer é algo que ainda não sei...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Multidão

Sem rumo... misturo-me na multidão na esperança de me esconder do que não encontro... e ficar assim sozinho... igual a todos os outros... na hipócrita ilusão individual de não te procurar...

Não conheço a multidão... não me revejo nem distingo nela... cativa-me por isso... pela imensidão de almas que nela correm todos os dias à procura de algo... diferente em cada uma... desperta-me a curiosidade de descobrir a sua essência... escolher almas ao acaso de um olhar... de explorar... de aprender... desprender... e voltar a misturar-me na multidão... em tentativas romanticamente improfícuas de te encontrar...

Na individualidade a multidão perde-se nas semelhanças que as separam... sem se darem conta são iguais... como sentem o que fica... dominadas pelo mesmo instinto do ego que se submissa a uma sociedade... num vicioso ciclo do ócio de não parar e observar... as diferenças curiosas que aproximam os olhares... que sentem quando criam... na plenitude dos instintos que não controlam quando querem... na proporcionalidade oposta à procura...

Na multidão espero encontrar a desconhecida sabedoria da ignorância... da pureza de espirito... de nada saber... e apenas num supiro.. que pode ser o último... sentir-me completo... de nada saber... a não ser quem tu és...