Sem rumo... misturo-me na multidão na esperança de me esconder do que não encontro... e ficar assim sozinho... igual a todos os outros... na hipócrita ilusão individual de não te procurar...
Não conheço a multidão... não me revejo nem distingo nela... cativa-me por isso... pela imensidão de almas que nela correm todos os dias à procura de algo... diferente em cada uma... desperta-me a curiosidade de descobrir a sua essência... escolher almas ao acaso de um olhar... de explorar... de aprender... desprender... e voltar a misturar-me na multidão... em tentativas romanticamente improfícuas de te encontrar...
Na individualidade a multidão perde-se nas semelhanças que as separam... sem se darem conta são iguais... como sentem o que fica... dominadas pelo mesmo instinto do ego que se submissa a uma sociedade... num vicioso ciclo do ócio de não parar e observar... as diferenças curiosas que aproximam os olhares... que sentem quando criam... na plenitude dos instintos que não controlam quando querem... na proporcionalidade oposta à procura...
Na multidão espero encontrar a desconhecida sabedoria da ignorância... da pureza de espirito... de nada saber... e apenas num supiro.. que pode ser o último... sentir-me completo... de nada saber... a não ser quem tu és...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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