quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ter-te...

Imagino-me a amar-te… da mesma forma estranha a que me imagino ter-te… O platonismo do amor perde-se quando queremos ser mais do que realmente podemos ser… Amar-te é utópico… tal como ter-te… não sendo de todo teres-me… aos teus pés… implorando por um sinal… um sorriso… na loucura… um beijo… nos sonhos… ter-te…

Imagino-te nos meus “entretantos”… como seria bom amar-te… percorrer todo o teu corpo devagar… sem presas… porque te tenho… concedendo a cada pedaço o amor que tenho ao todo… devagar acariciaria o teu corpo… que pede mais… com calma fazia-o tremer… de ansiedade por querer mais… imaginaria a tua silhueta carente a precisar de mim… percorrendo-a como uma pluma… e o gemido por mais… por fim a loucura… de mais… e mais… e mais… sem forças chamarias por mim… como te soube bem a ansiedade… sorriria… abraçava-te… beijava-te o pescoço…protegia-te… tinha-te minha… como me fascina a tua beleza… e adormeço a venerar-te…

Acordo… e continuo a imaginar-te… se por um dia te viver morrerei feliz…


Música:

http://www.youtube.com/watch?v=2w--fJDFjMA

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Criança..

A solidão que me invadia fez-me sair de casa para pensar. Resolvi, ir à nossa praia, aquele lugar tão especial, o único onde me consigo libertar da realidade cruel e poder ser feliz ao teu lado.
Deparei-me, então, com uma situação insólita e extraordinária, uma criança estava sentada, sozinha, mesmo à beira-mar (facto que me espantou visto serem 10h da noite). Ela não tinha rosto, apenas o olhar. A criança divertia-se a construir um magnífico castelo de areia. Mas de repente veio uma onda e destruiu-o. Ela chorou, mas não desistiu. Limpou as lágrimas e recomeçou um novo castelo. E assim esteve durante algum tempo, o suficiente para construir um novo castelo ainda maior, mas o mar voltou a lançar uma destruidora onda que devastou o castelo e molhou a criança, deixando-a em lágrimas. Mais uma vez ela não desistiu e voltou a construir um novo castelo e a maré continuava a subir.
Perguntei-me porque é que a criança insistia em construir o castelo no mesmo local. É realmente curioso a inocência e a falta de percepção para com a realidade daquele ser, que por teimosia lutava contra o mundo e a natureza.
Foi então que reparei num pormenor, que até então me tinha escapado, mesmo ao lado da criança estava um anjo, preso na areia, com o rosto inundado de tristeza e solidão. Talvez por isso a criança continuasse a insistir em construir um castelo de areia, mesmo junto ao mar, apenas para fazer o anjo feliz. E a inocente criança continuou a tentar e o mar a destruir. De repente veio mais uma onda e destruiu mais um castelo, só que a sua força foi tanta que engoliu a criança levando-a ao seu sabor. Ela não estava preparada para tanta violência e incompreensão. O mar nunca tinha percebido que aquele inocente ser procurava apenas a felicidade do seu anjo, por amor, e não invadir o seu território e torná-lo insignificante, perante tal acto.
Tentei ainda correr para salvar a criança, mas uma sensação fantástica, cruel e inexplicável invadiu o meu corpo, e…
Apenas recuperei quando o sol nasceu e, ao olhar para a praia só vi areia e o mar. O anjo tinha sido libertado pela morte da criança que apenas o quis fazer feliz, no momento em que a morte deste se aproximava.
E regressei a casa desolado, mas aliviado dos meus problemas existenciais que se tornaram insignificantes perante a situação que presenciei.
Todos procuramos o nosso anjo… amá-lo e fazê-lo feliz… o mundo é que por vezes não nos percebe.


Mais uma vez perdi o meu anjo…
Mas será que o encontrei em ti?

14-11-2001


To the angel that had inspired me at the time... and now... and always..


Música:
http://www.youtube.com/watch?v=l-aNJTY6JtM&feature=related

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Encontros...

Passo por ti sem te reconhecer… Sinto-te uma desconhecida com quem me cruzo, como tantos os outros ao longo do dia… Estranho como se vive nos opostos… Ontem eras tudo para mim... Hoje és uma memória… pela qual passo sem reconhecer…

- Como as pessoas mudam! …

Grita uma voz familiar no fundo de mim... Sinto a falta dessas vozes… Que reconheceria em qual cruzar transeunte… só com um olhar… e no entanto nunca foi tudo para mim… mas parte… de um mundo que me faz falta… é outra memória que desejo revisitar… Mas por ti!?... Passo sem te reconhecer… mesmo agora quando os nossos olhos se cruzaram…

Entre passos que nos afastam hesito em olhar para trás e tentar reconhecer-te… Não vale a pena… Estás cada vez mais longe… e assim ainda menos te reconheço… já vais longe e ficaste sombra… Mas continuo a caminhar… e entre passos tento procurar alguém que reconheça… de um passado que ainda não vivi…

- Isso é quando menos esperares, pá!!!

Voltam as vozes… Sussurrando uníssonas… E o desespero de tanto as ter ouvido… Grito… Mudo de rua… E caminho sozinho… passo após passo… cada vez mais rápido submisso do tempo que nos consome… reconheço o desespero… deixo-o correr nas veias… cada vez mais rápido como os meus passos… paro e sorrio… reconhecendo o que ousara procurar… em mim… no meu reflexo… onde sempre estiveste… encontro-me… mudo de rua… volto às pessoas… e deixo-te reconhecer-me…

Mas por ti… passo outra vez… e reconheço-te… somente como parte do passado…


Música: