terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Néon... (Introdução aos comportamentos padronizados)

Não sei se acredite nos teus olhos ou nos teus actos... não sei se duvide do teu sorriso ou ateste verosimilidade às tuas palavras... não sei se me ofusque no teu brilho ou me perca na tua essência da escuridão... não sei se te afastas com medo de mim e da viagem que aí vem... ou se te aproximas para me deixares no chão na crueldade da posse que alimenta o Ego... não sei se quero saber as respostas... ou se é apenas o jogo que me cativa a levantar perguntas...
....as desilusões... e mais ainda os déjá-vu introspectivos... tornaram-me incrédulo face à imprevisibilidade dos sentimentos humanos... e criam um mundo intuitivo fase a comportamentos passados... sem surpresas que mais não sejam resultados de uma conjuntura favorável a um comportamento... já vivido e sentido...
.... a dúvida relança nela própria a incapacidade de acreditar no que escrevo... e não acreditando fica a dúvida de um mundo diferente.... de um sentimento de rotura que há muito deixei de acreditar...

A frieza deste mundo paralisa-me mais que qualquer inverno glaciar... faz fugir de mim a paixão... a luta... o arrepio (quente) na espinha a pedir mais minutos da tua companhia ou desespero angustiante quanto tu não vens... faz-me querer desaparecer depois de te ter encantado com magia... apenas pelo facto de nada termos ao certo a não ser a certeza que um de nós desaparecerá na conjuntura... no vazio que resta dentro de cada um de nós depois da descoberta...
... a dúvida fica na presença de tudo o que não se explorou... e da dúvida o desejo... e com o desejo o frio de não termo quem nos descubra...


Música: http://www.youtube.com/watch?v=i_M5cNcRcMk&feature=related

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ensaios sobre a Ilusão

Vivo na ilusão... de um mundo que imagino e crio desfasado do real... sem sensibilidade e clarividência para os sinais e para os outros... num acto louco da procura infame ti...

Sem te conhecer nem saber onde estás... imagino-te um ser idílico... capaz de criar em mim a alienação ao mundo... ao ego e a tudo... ora te prostituo sem vaidade por um sorriso ou um olhar mais demorado... confundindo-te ao virar da esquina... ou num simples acto de simpatia profissional... ou na ignorância da não repetição do sorriso ou do tal olha demorado... a ignorância tem em mim o efeito da espiral rejeição romântica da solidão...

Dou-me ao ridículo da solidão nessa procura... criando as ilusões onde vivo... recriando nelas as amizades que o espaço e o real afastou de mim nas transições temporárias da vida...e que me fazem falta... e concretizam o real... onde talvez não sentisse tanto a tua falta...

Mesmo estas palavras... que escrevo para alimentar o ego... ou num desespero que tu as leias e sintas como eu... e percebas o quanto te quero... ou te procuro... o querer é algo que ainda não sei...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Multidão

Sem rumo... misturo-me na multidão na esperança de me esconder do que não encontro... e ficar assim sozinho... igual a todos os outros... na hipócrita ilusão individual de não te procurar...

Não conheço a multidão... não me revejo nem distingo nela... cativa-me por isso... pela imensidão de almas que nela correm todos os dias à procura de algo... diferente em cada uma... desperta-me a curiosidade de descobrir a sua essência... escolher almas ao acaso de um olhar... de explorar... de aprender... desprender... e voltar a misturar-me na multidão... em tentativas romanticamente improfícuas de te encontrar...

Na individualidade a multidão perde-se nas semelhanças que as separam... sem se darem conta são iguais... como sentem o que fica... dominadas pelo mesmo instinto do ego que se submissa a uma sociedade... num vicioso ciclo do ócio de não parar e observar... as diferenças curiosas que aproximam os olhares... que sentem quando criam... na plenitude dos instintos que não controlam quando querem... na proporcionalidade oposta à procura...

Na multidão espero encontrar a desconhecida sabedoria da ignorância... da pureza de espirito... de nada saber... e apenas num supiro.. que pode ser o último... sentir-me completo... de nada saber... a não ser quem tu és...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Não gosto deste tempo...

Não gosto deste tempo... em que o verão se acaba e volta a nova (ou velha) rotina... Não gosto deste tempo... mesmo que tenha sido por estes dias que te conheci... num qualquer regresso à vida... outrora cheia de ilusões e descobertas que agora recordo apenas como passado... Já não há regresso à escola ou à faculdade... as praxes e as caloiras (onde tu já estiveste)...
Talvez seja essa a razão porque não gosto deste tempo... porque na solidão onde hoje me vejo faltam por vezes (quase todas) rasgos de acreditar que será por estes dias que te vou voltar a conhecer e assim regressar às ilusões e descobertas... e as desilusões... tão "construtivas" e erradamente felizes como as ilusões... (talvez porque nessa altura tudo era felicidade...)

No outro dia julguei reconhecer-te... pese os olhos tristes que te marcavam o rosto... pareceste-me tu... talvez tu como eu também tenhas perdido as ilusões e fechado o rosto...

Depois disso, voltei a sentir-te perto de mim... quando vieste ter comigo e me adoçaste os lábios... mesmo sem saberes que só por estares perto já tinhas feito o mesmo à essência de mim...

Não sem antes ter ficado na dúvida se não terias sido tu... qual cinderela... a enfeitiçares-me com uma dança... afastando-me com o teu "não te atrevas"... que só me fez querer estar perto de ti...

Não gosto deste tempo... porque te confundo na ausência... porque afinal... ainda vivo na ilusão da descoberta de ti... e este tempo só me faz querer-te aqui...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

25

Envelhecemos a um passo do abismo que separa a nossa passagem por aqui... Corre o tempo depressa demais para sermos o muito que gostaríamos de ser... Há 25 anos esqueceram-se de nos dizer que não há voltar atrás... e que o sentido está no perpetuar de cada momento... para que este fique guardado na imagem final... e no último sopro tudo se perdure na medida do que se viveu...
Cada dia sem ti é um tormento e um dia perdido... quando os meus olhos se entristecem... cada dia sem ti é uma oportunidade... é viver com a esperança de hoje te poder encontrar... nos dias em que os meus olhos se riem para o mundo... e enriquecer o espírito com tudo aquilo que... na tua ausência... quererei partilhar contigo...
Hoje estou feliz... mesmo sem ti... pois olho para o mundo com vontade de o descobrir... e num entretanto... num pequeno passo que separa as vidas que gostaríamos de viver... e não temos tempo... lá estarás... se não chegar a tempo ficarei com a certeza que não houve momento em que não pensasse em ti... e que não houve paisagem que não quisesse partilhar contigo... tu é que simplesmente não estavas...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ter-te...

Imagino-me a amar-te… da mesma forma estranha a que me imagino ter-te… O platonismo do amor perde-se quando queremos ser mais do que realmente podemos ser… Amar-te é utópico… tal como ter-te… não sendo de todo teres-me… aos teus pés… implorando por um sinal… um sorriso… na loucura… um beijo… nos sonhos… ter-te…

Imagino-te nos meus “entretantos”… como seria bom amar-te… percorrer todo o teu corpo devagar… sem presas… porque te tenho… concedendo a cada pedaço o amor que tenho ao todo… devagar acariciaria o teu corpo… que pede mais… com calma fazia-o tremer… de ansiedade por querer mais… imaginaria a tua silhueta carente a precisar de mim… percorrendo-a como uma pluma… e o gemido por mais… por fim a loucura… de mais… e mais… e mais… sem forças chamarias por mim… como te soube bem a ansiedade… sorriria… abraçava-te… beijava-te o pescoço…protegia-te… tinha-te minha… como me fascina a tua beleza… e adormeço a venerar-te…

Acordo… e continuo a imaginar-te… se por um dia te viver morrerei feliz…


Música:

http://www.youtube.com/watch?v=2w--fJDFjMA

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Criança..

A solidão que me invadia fez-me sair de casa para pensar. Resolvi, ir à nossa praia, aquele lugar tão especial, o único onde me consigo libertar da realidade cruel e poder ser feliz ao teu lado.
Deparei-me, então, com uma situação insólita e extraordinária, uma criança estava sentada, sozinha, mesmo à beira-mar (facto que me espantou visto serem 10h da noite). Ela não tinha rosto, apenas o olhar. A criança divertia-se a construir um magnífico castelo de areia. Mas de repente veio uma onda e destruiu-o. Ela chorou, mas não desistiu. Limpou as lágrimas e recomeçou um novo castelo. E assim esteve durante algum tempo, o suficiente para construir um novo castelo ainda maior, mas o mar voltou a lançar uma destruidora onda que devastou o castelo e molhou a criança, deixando-a em lágrimas. Mais uma vez ela não desistiu e voltou a construir um novo castelo e a maré continuava a subir.
Perguntei-me porque é que a criança insistia em construir o castelo no mesmo local. É realmente curioso a inocência e a falta de percepção para com a realidade daquele ser, que por teimosia lutava contra o mundo e a natureza.
Foi então que reparei num pormenor, que até então me tinha escapado, mesmo ao lado da criança estava um anjo, preso na areia, com o rosto inundado de tristeza e solidão. Talvez por isso a criança continuasse a insistir em construir um castelo de areia, mesmo junto ao mar, apenas para fazer o anjo feliz. E a inocente criança continuou a tentar e o mar a destruir. De repente veio mais uma onda e destruiu mais um castelo, só que a sua força foi tanta que engoliu a criança levando-a ao seu sabor. Ela não estava preparada para tanta violência e incompreensão. O mar nunca tinha percebido que aquele inocente ser procurava apenas a felicidade do seu anjo, por amor, e não invadir o seu território e torná-lo insignificante, perante tal acto.
Tentei ainda correr para salvar a criança, mas uma sensação fantástica, cruel e inexplicável invadiu o meu corpo, e…
Apenas recuperei quando o sol nasceu e, ao olhar para a praia só vi areia e o mar. O anjo tinha sido libertado pela morte da criança que apenas o quis fazer feliz, no momento em que a morte deste se aproximava.
E regressei a casa desolado, mas aliviado dos meus problemas existenciais que se tornaram insignificantes perante a situação que presenciei.
Todos procuramos o nosso anjo… amá-lo e fazê-lo feliz… o mundo é que por vezes não nos percebe.


Mais uma vez perdi o meu anjo…
Mas será que o encontrei em ti?

14-11-2001


To the angel that had inspired me at the time... and now... and always..


Música:
http://www.youtube.com/watch?v=l-aNJTY6JtM&feature=related

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Encontros...

Passo por ti sem te reconhecer… Sinto-te uma desconhecida com quem me cruzo, como tantos os outros ao longo do dia… Estranho como se vive nos opostos… Ontem eras tudo para mim... Hoje és uma memória… pela qual passo sem reconhecer…

- Como as pessoas mudam! …

Grita uma voz familiar no fundo de mim... Sinto a falta dessas vozes… Que reconheceria em qual cruzar transeunte… só com um olhar… e no entanto nunca foi tudo para mim… mas parte… de um mundo que me faz falta… é outra memória que desejo revisitar… Mas por ti!?... Passo sem te reconhecer… mesmo agora quando os nossos olhos se cruzaram…

Entre passos que nos afastam hesito em olhar para trás e tentar reconhecer-te… Não vale a pena… Estás cada vez mais longe… e assim ainda menos te reconheço… já vais longe e ficaste sombra… Mas continuo a caminhar… e entre passos tento procurar alguém que reconheça… de um passado que ainda não vivi…

- Isso é quando menos esperares, pá!!!

Voltam as vozes… Sussurrando uníssonas… E o desespero de tanto as ter ouvido… Grito… Mudo de rua… E caminho sozinho… passo após passo… cada vez mais rápido submisso do tempo que nos consome… reconheço o desespero… deixo-o correr nas veias… cada vez mais rápido como os meus passos… paro e sorrio… reconhecendo o que ousara procurar… em mim… no meu reflexo… onde sempre estiveste… encontro-me… mudo de rua… volto às pessoas… e deixo-te reconhecer-me…

Mas por ti… passo outra vez… e reconheço-te… somente como parte do passado…


Música:

domingo, 28 de junho de 2009

Estrelas

Apesar da sua presença perpétua, lembro-me dos poucos momentos em que consegui ver o seu verdadeiro brilho e perfeição… momentos em que a paz de espírito que sentimos nos faz perceber a verdadeira amplitude dos seus segredos… faz-nos parar no tempo e ao olhar para elas enviar uma mensagem para o seu infinito… que lá perdurará tal como um segredo perene em nós…

… A felicidade do quase nada ao deitar no meio da rua a olhar para elas na escuridão… ser feliz com esse nada… tudo no momento…

A nossa pequenez na dimensão das estrelas faz-nos ser nada… no entanto vemo-nos como um mecanismo inconscientemente egocêntrico … parte da nossa máquina (im)perfeita que nos assombra com saber o prazer dos pequenos momentos…e nos destroí a percepção das pequenas coisas por já termos de mais… que e deixa os que tolos com a felicidade do pouco… com os nadas perto do tudo… com a felicidade que nos massacraria se fossemos assim… tolos… os felizes… os que vêm as estrelas sem se preocuparem com o que elas significam… são bonitas e pronto… para quê complicar?... se o dia que as percebermos estaremos demasiado deprimidos porque descobrimos o nada que somos… perde-se a sua magia…a mística… a sua essência e segredos… são bonitas e pronto… gosto de vê-las uma vez por acaso… e nesse encontro cúmplice partilhar o meu segredo… a minha felicidade… num respirar fundo percebo que não sou nada mas tudo…

Hoje não vejo as estrelas como gostaria… não que o céu não o permita pois nunca serão essas nuvens que nos impedirão de as alcançarmos… apenas não as sinto como sei que elas são… não encontro o caminho que me levará até elas… e não inspiro a sua essência… pois turva é a visão que me consome os olhos só da recordação… Hoje sei que poderia ter mais do que as vezes em que, exausto de viagens agora curtas, me deitava radiante de felicidade só por um quase… só por que sim… porque as conseguia ver… tenho saudades… e as saudades consomem o tudo que poderia ter no nada que me sinto…

Mas tenho as memórias… que me fazem sorrir sempre que revisitar o segredo que lá guardei… sempre que te lembrar feliz… sempre que recorde o teu sorriso… sempre que o terreno me levará a ver as estrelas… pois é aí que tu sempre estarás… pois foi nesse dia que elas guardaram o teu sorriso… o teu olhar... e lá os imortalizaram só para mim…




Música: http://www.youtube.com/watch?v=Qqt28Oi7Xco
(Original HIM - Heaven tonight)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Resposta by pessoa

Se te sinto na saudade, sinto-me ainda mais na ausência de quem seja dono de mim... Não se sente só a alegria de estar a sós...

"Ela canta, pobre ceifeira
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz à o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.

Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

“Fernando Pessoa”


Este poema de Pessoa no heterónimo de Alberto Caeiro, marca-me deste a primeira vez que o li... faz-me pensar se cada momento de conhecimento ou felicidade será uma pedra que iremos atirar a nós próprios nos momentos de solidão....

Música: http://www.youtube.com/watch?v=myO_gg2he7Y

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Dúvidas

"O que nos leva para a questão se perder será melhor do que simplesmente não se ter? Que se responde com a questão será a nostalgia melhor do que o nada? Será a ausência um sentimento de posse... perante o qual o nada.. será a ausência?! Ou antes felicidade? Assim não ter seria melhor do que perder por se querer ter...

Pensa que só quando tu responderes às tuas perguntas podes ter respostas "válidas" caso contrário as respostas dos outros serão sempre uma fuga para tu próprio não pensares..."


Música : http://www.youtube.com/watch?v=cSMuaBZ-qBE

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mistério

A lua enfeitiça a cidade...
Envergonhando-se perante uma cinzenta nuvem que passa de um amor desencontrado...
Passeia-se pela cidade escura... deambulando à luz da candeia... relembrando outrora... outras lutas... o mesmo amor... a saudade...
Da lua que já vai alto... que se desvanece e desaparece... lembrando-me que sem essa luz tudo se apaga... o amor... as lutas... a saudade... o ver na noite enfeitiçada... a incerteza de se partir no escuro...
Quando o pouco ver já é claro... no dia... na luz... dos homens... que ordinariamente vivem... no óbvio... e na obscuridade da luz...
Daí temer a noite... sem feitiço.... Sem a mulher que só vejo à lua... sem a luz que se me apresenta no teu feitiço... num devaneio de mim na obscuridade...

O mistério que se esconde atrás de uma concepção exacerbada da realidade do que tu és... torna-te fantástica à luz da lua... numa turva mistura de Baco e luar... nos teus olhos... sem nome nem rosto sequer definido a meus olhos... és mistério que não desvendarei... diferente da banalidade que serias se te descobrisse...
O mistério e o desconhecido potencia-nos... torna-nos monstros gigantes ou insensatos apaixonados... quererei ser sempre um mistério para que me ultrapasses com teus olhos daquilo que os meus te transmitem... aí serei o que sonhei... sem ter a utópica necessidade de o ser... serei sol ou lua... e não candelabro... serei rei e profeta... e não contador de histórias esquecido na escravatura... da luz... dos dias... sem noite e lua... e mistério...
O mistério desilude a verdade... cria sonhos nos pesadelos... faz-nos correr para muitos dos nadas dos quais fugimos...O mistério faz-me ir atrás de ti... sabendo que nunca te encontrarei como te procuro...

Música: http://www.youtube.com/watch?v=EqWEkam9H4w

terça-feira, 24 de março de 2009

Nostalgia 1

Não sei se é do tempo ou de mim... ou apenas do tempo a passar por mim... sinto que recordo mais do que devia... talvez recorde mesmo mais do que viva....e isso não será do tempo será apenas de mim... Mas recordar traz-nos parte de nós... e mais do que lembrar o passado pode-nos mostrar o futuro... e ensinar... e responder-nos às perguntas que gritam alto em nós... sem mais ninguém para as escutar.... é a nostalgia que nos consume... transformada numa sensação de redescoberta... num voyeurismo interior de análise freudiana... onde me vejo num sofá a nu... numa viagem espaço temporal ao preto e branco de mim... porque não se sonha a cores...


As memórias são uma manta de retalhos... ou um álbum de soltas... imagens... sons...olfactos... toques... na tua pele suave... do sabor dos teus lábios... cuja voz me lembro baixinho... com um perfume que não esqueço... construindo assim mundos e personagens em recortes... que talvez nunca tenham tido ou sido uma só imagem.... com quem um dia ousei... sentir... partilhar... criar... ou apenas estar apaixonamente deitado sob um céu de estrelas cadentes a entoarem desejos de futuro... que apenas ficaram na ilusão do passado...
Vivem contos de fadas... numa felicidade que já mais almejei alcançar com elas... é assim que as imagino... as imagens... as personagens.... nas memórias que me restam... um futuro luminoso que justifique as recalcadas sombras que possam existir...



A nostalgia consome-me... mas dá-me sentido... quando tu ao longe exibes um sorriso maior do que sonhara... quando tu de branco me fazes tremer e sorrir por ti mesmo sem estar... relembra-me o que é sonhar... sabendo que tudo se ganha do nada... e da insistência do tudo é o nada que resta... faz-me sonhar a cores... e abdicar dos cinzentos da vida... faz-me querer deixar de recordar... sair da redoma e correr para a vida... sabendo que os teus braços podem-me receber... ou estarem presos a alguém... e mesmo assim não desesperar... porque na vida alguém nos espera...


Música: http://www.youtube.com/watch?v=R6Zemfh9dXA

terça-feira, 17 de março de 2009

Politicas Locais - Reflexões 1

A política fascina-me ao mesmo tempo que me repugna... penso que será um sentimento comum à maioria das pessoas interessadas por este tema. Acho que todos deveríamos assumir os nossos deveres cívicos e a nossa responsabilidade social... deveríamos ser membros interessados de uma sociedade democrática... pois só assim a democracia faz sentido...

Talvez por isso hoje em dia não o faça... e exista sim um modelo bi(uni??)partidário e ideologicamente vazio (ou melhor indiferenciado), comandado por uma clubite exacerbada em defesa dos partidos... em que claramente os pequenos jogam sistematicamente para o empate (leia-se em linguagem futebolística, significa que o objectivo é mais tirar pontos do que pontuar a sério)... e que, tal como no futebol (em que 90% dos adeptos são dos três grandes...) sobra uma política bicéfala cada vez mais igual, em que as vitórias têm demasiado demérito dos oponentes em vez do lógico mérito dos vencedores...
Considero que muito do estado caótico actual do país (se é que não é o seu estado natural) se deve mais à falta de uma oposição construtiva e pró-activa do que os governos em si... foi assim com o PS de António Guterres, com o PSD de Durão Barroso e Santana Lopes e é o agora com o Governo de Sócrates (a ausência da referencia ao PS é propositada tais são as dúvidas que deixa, não a mim que não tenho nada a ver com isso)... a oposição ficou assim a cargo (nos últimos anos) dos pequenos partidos... que tendem a exacerbar as suas acções por saberem que dificilmente chegarão ao poder e dificilmente terão de assumir as responsabilidades das suas acções...

Se a um nível macro (leia-se país) as coisas estão complicadas, no ponto de vista local a clubite arrasta-se para mal dos cidadãos, uma vez que tudo não passa de uma luta de poleiros em prol de uma camisola... que muitos receberam da família ou dos amigos e não por construção pessoal... e não conhecem... não há ideologia mais sim um mercado de influências e de poder cujo objectivo maior é renovar o poleiro ou passar para um poleiro mais alto... não estou a criticar (até porque acho normal e humano que tal aconteça) apenas a constatar factos... o problema é que fase a uma conjuntura actual desfavorável (segundo especialistas como estas gerações que coabitam no burgo nunca viram) é necessário mudar e renovar... ou melhor é necessário inovar e evoluir... pensar que a formação é essencial e que os investimentos feitos neste (leia-se novas oportunidades e sem nos deixarmos rir, nem comentar negativamente, até porque não se trata disso...) devem trazer os seus frutos para a sociedade... por isso é necessário ter quadros especializados nos órgãos locais (em detrimento de cunhas políticas e pessoais não qualificadas [qualificadas e competentes nada contra])... é necessário criar sinergias positivas entre os vários quadrantes políticos (ou clubísticos para manter a coerência)... é necessário criar parcerias pró-activas com todos os stakeholders da sociedade (leia-se indústria, população, instituição de carácter social, investidores, etc.)... não havendo um trabalho colectivo todos os projectos locais estão destinados a falharem ou a não tirar partido de todas as suas potencialidades...


Por isto é que me fascina... repugna-me um dia entrar e ficar como os que lá estão... mas ninguém está salvo... porque somos humanos (e por isso imperfeitos)...

terça-feira, 10 de março de 2009

Óscares

Sou menos cinéfilo do que gostava (para dizer a verdade não sou de todo conhecedor da 7º Arte)... No entanto nos últimos tempos tenho procurado saber mais e interessar-me por cinema... A prova foi a sempre mediática noite dos Óscares que acompanhei estoicamente (a par de uns jogos de Playstation... daí o "estoicamente" ser uma mera hipérbole textual para dar algum estilo... um pouco como os famosos "desbloqueadores de conversa" do Markl, digamos que é um "intensificador de discurso")... Finda a Gala (agradável por sinal... segundo os especialistas foi "um corte com a tradicional noite do Óscares, mais leve e descontraído") fiquei ainda com mais curiosidade em assistir aos filmes mais nomeados e também mais premiados... A saber o Estranho Caso de Benjamin Button e o Slumdog Millionaire (uso o nome em inglês devido à tradução portuguesa não ser literal)...

Comecei por ver primeiro o filme onde Brad Pitt interpreta a personagem de Benjamin Button e confesso que adorei o filme e a história... a ideia de a vida ser ao contrário agradou-me e o pormenor do relógio foi fantástico... num filme inspirado na obra de F. Scott Fitzgerald, que bem poderia ter sido na famosa frase de Chaplin que circula por esses e-mails que "deveríamos nascer velhos e morrer num orgasmo" (talvez um dia volte a abordar este tema noutro contexto)... Após visualizar este filme e atento aos comentários dos especialistas que acompanharam a emissão da TVI, comecei a conjunturar uma teoria na qual defendia que os prémios deste ano teriam sido um golpe de Marketing de Hollywood, no sentido de aumentar a sua influência em dois Mercados potenciais como o Indiano (com o papa prémios Slumdog Millionaire – visando ganhar adeptos no "tradicional e nacionalista" povo indiano, onde Bollywood domina as preferências sendo uma das poucas culturas em que industria de cinema nacional que consegue ter um share interno superior à influencia da indústria americana, [vide primeira frase porque isto pode ser uma grande asneira, que escrevo apenas por ser um blog de opinião e ao não ser jornalista posso escrever o que me apetece como se fosse um grande entendido]) e o Japonês (que ganhou o prémio de melhor curta metragem contra todas as expectativas, a fonte é o comentador do programa sobre a qual a minha honestidade intelectual me obriga a abdicar de tecer quaisquer comentários)... E fiquei feliz com esta teoria pois achava que nunca um filme em que alguém fica milionário num concurso pudesse superar uma história tão profunda como a tratada em Benjamin Button (e também por estar a fazer uso da minha aprendizagem em Marketing e já estar a vê-lo em tudo o que mexe... como grande especialista)... Mas na verdade (e a razão por estar a utilizar o pretérito imperfeito [nada mais adequado]) ao ver o filme indiano mudei de opinião (não totalmente, porque acredito que mesmo assim haja alguma intencionalidade comercial no sentido de estreitar relações) precisamente porque de um filme com um argumento aparentemente banal se ter conseguido criar um filme extraordinário e muito inteligente... é a meu ver um filme muito bem conseguido e agora concordo (como se isso significasse alguma coisa) que mereça o prémio... porque Benjamin Button tem uma história de uma formidável beleza e profundidade que poucos nos últimos anos tenham conseguido alcançar... Slumdog Millionaire é uma história aparentemente vulgar com uma adaptação extraordinária... Talvez os dois merecessem ganhar o prémio... talvez em detrimento do vencedor do ano passado (Este país não é para velhos)... que a na minha perspectiva é a vários níveis inferior (principalmente na história por se ficar com a sensação de faltar algo, pormenor a que ligam os leigos como eu, antes da realização e essas coisas cinéfilas) aos mais galardoados de 2008 (passe a interpretação de Bardem que está muito boa)...

Resumo: Não percebo nada de cinema mas como este blog é meu escrevo sobre o que me apetece... Aconselho os filmes os Estranho Caso de Benjamin Button e o Slumdog Millionaire... O Jorge tem razão e tem de se voltar a ver o Este país não é para Velhos porque deve ter havido qualquer coisa que falhou.

Música: http://www.youtube.com/watch?v=ZC3QNyEuBgY

quinta-feira, 5 de março de 2009

MKT 1

Ao envelhecermos temos a tendência a personalizar a nossa aprendizagem e começamos a ficar selectivos para com tudo que nos tentam ensinar vs aquilo que queremos aprender... Foi o que aconteceu na minha mais recente aventura académica (que ainda está por terminar)... de todos os conceitos que era suposto apreender apenas alguns marcaram a minha essência, tendo estes no entanto vincado novos princípios na minha existência... e como este blog é um espaço de partilha, também aqui quero partilhar a minha aprendizagem... da forma como a percebi e senti... por vezes em oposição aquilo que era suposto aprender...

Do mestrado em Marketing, ainda mais que qualquer conceito, ficaram as pessoas e a "turma"... suis generis e ecléctica como nenhuma outra que tinha tido... não estou com isto a dizer que era melhor que as outras... apenas diferente... também a uns olhos diferentes... isto de envelhecer tem as suas vantagens... E da turma fica o conceito de "Clusters"... Segundo a grande fonte que é a Wikipédia (de forma a dar um carácter mais relaxado ao tema e para o colocar no "senso comum", sem citar Porter) "Um cluster é, no mundo da indústria, é uma concentração de empresas relacionadas entre si, numa zona geográfica relativamente definida, que formam um pólo produtivo especializado com vantagens competitivas"... Ao imaginarmos pessoas em vez de empresas e o ensino em detrimento da indústria (ou ao vermos um ensino como a Indústria que é, mas num ponto de vista de PME’s) encontramos a "turma"...

Mais do que aplicar este conceito à turma... que para uma visão pragmática de esquerda nada mais é que o velho e batido slogan "a união faz a força"... é necessário aplicá-lo à nossa sociedade e às nossas vidas... como se fosse um valor básico... A mim marcou-me por perceber (ou melhor reforçar a metamorfose pessoal de carácter) que o mundo define-se pelas nossas vantagens competitivas... e que estas podem ser maximizadas se as partilharmos e correlacionarmos... pois uma vantagem será sempre algo comparativo... e para isso a conjuntura tem de as favorecer... ninguém é melhor sozinho... mais que não seja por não haver a que (ou a quem) comparar... e isso levar-nos-ia aos benchmarks...
Talvez seja melhor ficar para mais tarde... porque não se pode aprender tudo num dia... e tu já adormeceste...

Resumo: A vida define-se pela capacidade de transformarmos as nossas potencialidades em vantagens competitivas... E estas poderão ser sempre maximizadas em "cluster's".

Música:http://www.youtube.com/watch?v=mvjY2VcyHVc&feature=related

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pessoa ao Lado

Todos temos uma pessoa ao lado... ou pelo menos gostariamos de ter... Alguém para partilhar tudo o que somos e queremos ser... tudo o que pensamos ou gostariamos de sentir... todo o nosso imaginário e a nossa realidade...
Na ausência remanesce o sentimento da procura... seja a mais simples verdade das coisas... ou a verdade das coisas simples... que teimamos em codificar em enredos intermináveis e complexos...
Tudo o que interessa é a essência.. e nada importa saber sem se partilhar... com a pessoa ao lado... e tal como Pessoa nos nossos mais diversos quadrantes... na complexidade de nós... com a simplicidade da partilha... com a pessoa ao lado... que está porque queremos...