Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Némesis
Hoje pergunto-me porque não te terei visto mais cedo... e se não me terias tu devolvido o tempo... e a parte de mim que perdi... ou que ainda não encontrei...
Quando fugires para seguires a tua vida... ou parares de fugir da vida... o que já devias ter feito há muito... eu vou ficar aqui... parado.. e sozinho... como me conheceste...
...na obsessão inexplicável de mim aos meus próprios olhos... onde me sinto inteiro... na paradoxal comiseração do eu... que revela que sou muito pouco do que pareço... e muito mais do que escondo...
...fosse eu os outros para entender e controlar o que toco... o que sinto... ou que penso... o que observo é-me muito mais claro do que o que sinto... sem o ego que me controla... com os olhos que me ensinam...
...o meu problema nunca foi o querer estar a teu lado... mas a necessidade egocêntrica que queiras estar ao meu... esse é o pecado que me consome... em oposição ao que mais admiro em ti...
...a liberdade dos afectos... na satisfação do momento... sem pensar mais além do que se vê... no fundo és a Némesis... que me castiga e fascina... o lado certo do errado de mim...
Segunda-feira, 3 de Maio de 2010
Alter-ego
...sem a surpresa e sem o encanto... sem a tua (in)genuinidade... apenas a (des)ilusão (minha) da vida ser diferente do que se sonha... da miopia... e do lado negro...
...um dia não vou querer amar-te... apenas estar ao teu lado... aprender de ti a vida... e viver-te mais do que o sonho...
...um dia não vou querer o sempre... nem o eterno... apenas o momento...
...um dia não vou querer o compromisso... apenas a liberdade de querer estar...
...hoje é o dia...
...um dia vou deixar de escrever... e passar a sussurrar-te ao ouvido... e entre o non-sense e um sorriso... virá a metamorfose do ego...
Quarta-feira, 21 de Abril de 2010
Ego...
Para angústia basta-me a de não o ser... por isso não leves também a ilusão... Porque em tudo o que sou está a essência do que me imagino... e aí sou claramente melhor do que eu...
Domingo, 14 de Março de 2010
Lisboa
(Por vezes da solidão e dos sonhos desperta-se em nós a luz de saber viver... aproveitando o que o mundo nos dá... mesmo quando julgamos que não é suficiente... e perceber que somos para os outros como eles são para nós... fontes de inspiração constante... por isso gosto de existir... gosto que tu existas... e tu... mesmo que não estejas... e tu que já estives... e a ti que não te conheço...
Se um dia alguém sorrir por mim... ou para mim (quanto melhor)... já valeu o facto de alguém um dia nos ter dado uma identidade... bem como todas as lágrimas que a ajudaram a criar nos entretantos de uns quantos sorrisos...)
Sexta-feira, 12 de Março de 2010
Interlúdio
Eu sei que estás... mais do que poderia pedir... conheces-me as lágrimas só com uma palavra... deixas fugir o sorriso nas tuas... como se fosse a última... ou única coisa que existisse antes do teu abismo... ou do meu... porque no pêndulo confundimo-nos...
Quarta-feira, 10 de Março de 2010
Observações
Diferente são aqueles que me entram no gabinete, a esses observo-os de outra forma, ouço as suas conversas, as suas histórias, sei o que sentem, acompanho a "estórias" da sua decadência... confidenciam-me alguns segredos... Observo... interajo profissionalmente e esforço-me por dar o melhor de mim... mas por outro lado fico distante... gravo e recordo as conversas... sinto-as nas minhas introspecções e catarse... imagino, projecto... tenho medo...
Hoje tive medo de acabar sozinho, quando entrei num corpo de 94 anos, imaginei o que seria, não que seja assim tão diferente por vezes da maneira como me sinto, mas a imagem de ver desabar tudo o que se constrói, a família, os amigos, o trabalho, a energia, a saúde, a vida... lentamente enquanto se fica como um pilar após um terramoto... sem estrutura... cada vez mais sozinho... à espera da última réplica, arrepia. Por outro lado senti a perfeição do ser humano, a sua capacidade de mudança e aceitação à ultima moratória... da alienação de que todo o dia pode ser o último, mas que pouco importa porque o que se perde é cada vez menos.
...Uma vez, um dos meus observados, alguém que não lhe identifiquei grandes estudos e filosofias além daquela que a vida lhe ia demonstrando (que convenhamos é na maioria das vezes mais precisa longe dos conhecimentos científicos), disse, literalmente - "Ó doutor nós somos uma máquina do caraças, isto quando é para ir vamos perdendo, vamos perdendo, até que nos vamos sem levar saudades disto.É verdade. Quando chegar à minha idade vai ver." - espero que sim caro amigo, mas dou-lhe desde já razão...
Todos os dias se repetem as "estórias", todas diferentes, vividas, contadas sentidas à maneira de cada um... isso dá-me gozo... da-me prazer cada vez que sei que vou conhecer uma nova pessoa... uma nova vida que observo e aprendo... diferente da exaltação do "ego" que geralmente me inspira... ou das musas que crio do nada... ou das coincidências... afinal andei distraído...
...Diferente são os outros que apenas observo... esses não me ensinam... iludem-me e obrigam-me a entrar em mim... querer respostas... perceber o mundo e as suas constantes... o que juntas as pessoas??? o que as move??? o "de onde vim e para onde vou..." e todas as perguntas que se repetem em "loop" a quem não se conforma em saber viver "apenas" com o que alcança... "quem anda com os pés um pouco levantados do chão"... mas essas são respostas que encontrarei, quem sabe, noutro contexto... quando perceber a essência da "perfeição" da máquina humana...
Mas tudo isto dá vontade, de plagiando a citação da última das musas platónicas que, com todas as outras, me tem inspirado nos últimos dias:
"(...)sugar todo o tutano da vida,
para um dia não descobrir que não vivi."
(Henry David Thoreau)
E todos os dias assim acordar...
Segunda-feira, 8 de Março de 2010
Prima Donna (Porque sim...)
Sim... às vezes basta-se respirar para nos apaixonarmos... cruzamo-nos na rua e deixamos entrar em nós toda a essência de um perfume estranhamente familiar que se sente pela primeira vez... como se fosse uma arma de destruição maciça ao nosso ser... Acontece por magia... ou milagre... ou então apenas porque sim... porque era esse o desígnio... não dos deuses... talvez da vida... ou melhor... porque é apenas a minha vontade... sim, talvez seja apenas isso...enquanto...
...Desces a rua em direcção a mim... não me conheces neste caminho... já nos teremos cruzado antes?!... nesta rua sou apenas mais um dos que na obliquidade te apreciam e... por segundos... no meu caso O instante... prendem o olhar antes de seguirem o seu caminho... num suspiro profundo de quem viu a perfeição...
...Não me conheces nesta vida... mas sabes como penso e sinto... desvendas o meu sorriso num qualquer som... mas não o meu rosto... não a mim... apenas o “eu” imaginado... Esse que não tem defeitos... não gagueja.. não roboriza na tua presença... não te olha de esguelha mas enfrenta-te... cru... simples como gostas... não aprecia o teu andar nem a tua beleza... apenas sabe que a tem com ele... um alter ego.. ele... de mim... a beleza... a tua... que não se vê...e tu...
...Não sei porque apareceste. Não estava à espera e apanhaste-me desprevenida... e na dúvida. Não sei mais o meu caminho. Mas porquê agora??? Perdi-me no passado e ao me ao julgar-me em casa apareces e mexes...Estou farta destes olhares famintos cada vez que desço a rua... Espera... não és tu?! Pensar que não te conheço... mas chegaste a mim como se já o fizesses à anos, num normal e quotidiano entrar em casa e..."Olá cheguei..." Tenho medo. É tudo demasiado simples...
...Foi isso que me encantou em ti... a tua genuinidade... seres tu sem medo de ninguém... não te perceber e deixar-me dominar... e ao abrir os olhos lá estás... tu... que não te conheço...às vezes não é preciso amar... basta sentir a ilusão ou dúvida para se viver no limbo... desse animal que não se dá ao respeito... o amor... e que às perguntas apenas responde... porque sim...