quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Não gosto deste tempo...

Não gosto deste tempo... em que o verão se acaba e volta a nova (ou velha) rotina... Não gosto deste tempo... mesmo que tenha sido por estes dias que te conheci... num qualquer regresso à vida... outrora cheia de ilusões e descobertas que agora recordo apenas como passado... Já não há regresso à escola ou à faculdade... as praxes e as caloiras (onde tu já estiveste)...
Talvez seja essa a razão porque não gosto deste tempo... porque na solidão onde hoje me vejo faltam por vezes (quase todas) rasgos de acreditar que será por estes dias que te vou voltar a conhecer e assim regressar às ilusões e descobertas... e as desilusões... tão "construtivas" e erradamente felizes como as ilusões... (talvez porque nessa altura tudo era felicidade...)

No outro dia julguei reconhecer-te... pese os olhos tristes que te marcavam o rosto... pareceste-me tu... talvez tu como eu também tenhas perdido as ilusões e fechado o rosto...

Depois disso, voltei a sentir-te perto de mim... quando vieste ter comigo e me adoçaste os lábios... mesmo sem saberes que só por estares perto já tinhas feito o mesmo à essência de mim...

Não sem antes ter ficado na dúvida se não terias sido tu... qual cinderela... a enfeitiçares-me com uma dança... afastando-me com o teu "não te atrevas"... que só me fez querer estar perto de ti...

Não gosto deste tempo... porque te confundo na ausência... porque afinal... ainda vivo na ilusão da descoberta de ti... e este tempo só me faz querer-te aqui...

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

25

Envelhecemos a um passo do abismo que separa a nossa passagem por aqui... Corre o tempo depressa demais para sermos o muito que gostaríamos de ser... Há 25 anos esqueceram-se de nos dizer que não há voltar atrás... e que o sentido está no perpetuar de cada momento... para que este fique guardado na imagem final... e no último sopro tudo se perdure na medida do que se viveu...
Cada dia sem ti é um tormento e um dia perdido... quando os meus olhos se entristecem... cada dia sem ti é uma oportunidade... é viver com a esperança de hoje te poder encontrar... nos dias em que os meus olhos se riem para o mundo... e enriquecer o espírito com tudo aquilo que... na tua ausência... quererei partilhar contigo...
Hoje estou feliz... mesmo sem ti... pois olho para o mundo com vontade de o descobrir... e num entretanto... num pequeno passo que separa as vidas que gostaríamos de viver... e não temos tempo... lá estarás... se não chegar a tempo ficarei com a certeza que não houve momento em que não pensasse em ti... e que não houve paisagem que não quisesse partilhar contigo... tu é que simplesmente não estavas...

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Ter-te...

Imagino-me a amar-te… da mesma forma estranha a que me imagino ter-te… O platonismo do amor perde-se quando queremos ser mais do que realmente podemos ser… Amar-te é utópico… tal como ter-te… não sendo de todo teres-me… aos teus pés… implorando por um sinal… um sorriso… na loucura… um beijo… nos sonhos… ter-te…

Imagino-te nos meus “entretantos”… como seria bom amar-te… percorrer todo o teu corpo devagar… sem presas… porque te tenho… concedendo a cada pedaço o amor que tenho ao todo… devagar acariciaria o teu corpo… que pede mais… com calma fazia-o tremer… de ansiedade por querer mais… imaginaria a tua silhueta carente a precisar de mim… percorrendo-a como uma pluma… e o gemido por mais… por fim a loucura… de mais… e mais… e mais… sem forças chamarias por mim… como te soube bem a ansiedade… sorriria… abraçava-te… beijava-te o pescoço…protegia-te… tinha-te minha… como me fascina a tua beleza… e adormeço a venerar-te…

Acordo… e continuo a imaginar-te… se por um dia te viver morrerei feliz…


Música:

http://www.youtube.com/watch?v=2w--fJDFjMA

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A Criança..

A solidão que me invadia fez-me sair de casa para pensar. Resolvi, ir à nossa praia, aquele lugar tão especial, o único onde me consigo libertar da realidade cruel e poder ser feliz ao teu lado.
Deparei-me, então, com uma situação insólita e extraordinária, uma criança estava sentada, sozinha, mesmo à beira-mar (facto que me espantou visto serem 10h da noite). Ela não tinha rosto, apenas o olhar. A criança divertia-se a construir um magnífico castelo de areia. Mas de repente veio uma onda e destruiu-o. Ela chorou, mas não desistiu. Limpou as lágrimas e recomeçou um novo castelo. E assim esteve durante algum tempo, o suficiente para construir um novo castelo ainda maior, mas o mar voltou a lançar uma destruidora onda que devastou o castelo e molhou a criança, deixando-a em lágrimas. Mais uma vez ela não desistiu e voltou a construir um novo castelo e a maré continuava a subir.
Perguntei-me porque é que a criança insistia em construir o castelo no mesmo local. É realmente curioso a inocência e a falta de percepção para com a realidade daquele ser, que por teimosia lutava contra o mundo e a natureza.
Foi então que reparei num pormenor, que até então me tinha escapado, mesmo ao lado da criança estava um anjo, preso na areia, com o rosto inundado de tristeza e solidão. Talvez por isso a criança continuasse a insistir em construir um castelo de areia, mesmo junto ao mar, apenas para fazer o anjo feliz. E a inocente criança continuou a tentar e o mar a destruir. De repente veio mais uma onda e destruiu mais um castelo, só que a sua força foi tanta que engoliu a criança levando-a ao seu sabor. Ela não estava preparada para tanta violência e incompreensão. O mar nunca tinha percebido que aquele inocente ser procurava apenas a felicidade do seu anjo, por amor, e não invadir o seu território e torná-lo insignificante, perante tal acto.
Tentei ainda correr para salvar a criança, mas uma sensação fantástica, cruel e inexplicável invadiu o meu corpo, e…
Apenas recuperei quando o sol nasceu e, ao olhar para a praia só vi areia e o mar. O anjo tinha sido libertado pela morte da criança que apenas o quis fazer feliz, no momento em que a morte deste se aproximava.
E regressei a casa desolado, mas aliviado dos meus problemas existenciais que se tornaram insignificantes perante a situação que presenciei.
Todos procuramos o nosso anjo… amá-lo e fazê-lo feliz… o mundo é que por vezes não nos percebe.


Mais uma vez perdi o meu anjo…
Mas será que o encontrei em ti?

14-11-2001


To the angel that had inspired me at the time... and now... and always..


Música:
http://www.youtube.com/watch?v=l-aNJTY6JtM&feature=related

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Encontros...

Passo por ti sem te reconhecer… Sinto-te uma desconhecida com quem me cruzo, como tantos os outros ao longo do dia… Estranho como se vive nos opostos… Ontem eras tudo para mim... Hoje és uma memória… pela qual passo sem reconhecer…

- Como as pessoas mudam! …

Grita uma voz familiar no fundo de mim... Sinto a falta dessas vozes… Que reconheceria em qual cruzar transeunte… só com um olhar… e no entanto nunca foi tudo para mim… mas parte… de um mundo que me faz falta… é outra memória que desejo revisitar… Mas por ti!?... Passo sem te reconhecer… mesmo agora quando os nossos olhos se cruzaram…

Entre passos que nos afastam hesito em olhar para trás e tentar reconhecer-te… Não vale a pena… Estás cada vez mais longe… e assim ainda menos te reconheço… já vais longe e ficaste sombra… Mas continuo a caminhar… e entre passos tento procurar alguém que reconheça… de um passado que ainda não vivi…

- Isso é quando menos esperares, pá!!!

Voltam as vozes… Sussurrando uníssonas… E o desespero de tanto as ter ouvido… Grito… Mudo de rua… E caminho sozinho… passo após passo… cada vez mais rápido submisso do tempo que nos consome… reconheço o desespero… deixo-o correr nas veias… cada vez mais rápido como os meus passos… paro e sorrio… reconhecendo o que ousara procurar… em mim… no meu reflexo… onde sempre estiveste… encontro-me… mudo de rua… volto às pessoas… e deixo-te reconhecer-me…

Mas por ti… passo outra vez… e reconheço-te… somente como parte do passado…


Música:

domingo, 28 de Junho de 2009

Estrelas

Apesar da sua presença perpétua, lembro-me dos poucos momentos em que consegui ver o seu verdadeiro brilho e perfeição… momentos em que a paz de espírito que sentimos nos faz perceber a verdadeira amplitude dos seus segredos… faz-nos parar no tempo e ao olhar para elas enviar uma mensagem para o seu infinito… que lá perdurará tal como um segredo perene em nós…

… A felicidade do quase nada ao deitar no meio da rua a olhar para elas na escuridão… ser feliz com esse nada… tudo no momento…

A nossa pequenez na dimensão das estrelas faz-nos ser nada… no entanto vemo-nos como um mecanismo inconscientemente egocêntrico … parte da nossa máquina (im)perfeita que nos assombra com saber o prazer dos pequenos momentos…e nos destroí a percepção das pequenas coisas por já termos de mais… que e deixa os que tolos com a felicidade do pouco… com os nadas perto do tudo… com a felicidade que nos massacraria se fossemos assim… tolos… os felizes… os que vêm as estrelas sem se preocuparem com o que elas significam… são bonitas e pronto… para quê complicar?... se o dia que as percebermos estaremos demasiado deprimidos porque descobrimos o nada que somos… perde-se a sua magia…a mística… a sua essência e segredos… são bonitas e pronto… gosto de vê-las uma vez por acaso… e nesse encontro cúmplice partilhar o meu segredo… a minha felicidade… num respirar fundo percebo que não sou nada mas tudo…

Hoje não vejo as estrelas como gostaria… não que o céu não o permita pois nunca serão essas nuvens que nos impedirão de as alcançarmos… apenas não as sinto como sei que elas são… não encontro o caminho que me levará até elas… e não inspiro a sua essência… pois turva é a visão que me consome os olhos só da recordação… Hoje sei que poderia ter mais do que as vezes em que, exausto de viagens agora curtas, me deitava radiante de felicidade só por um quase… só por que sim… porque as conseguia ver… tenho saudades… e as saudades consomem o tudo que poderia ter no nada que me sinto…

Mas tenho as memórias… que me fazem sorrir sempre que revisitar o segredo que lá guardei… sempre que te lembrar feliz… sempre que recorde o teu sorriso… sempre que o terreno me levará a ver as estrelas… pois é aí que tu sempre estarás… pois foi nesse dia que elas guardaram o teu sorriso… o teu olhar... e lá os imortalizaram só para mim…




Música: http://www.youtube.com/watch?v=Qqt28Oi7Xco
(Original HIM - Heaven tonight)

quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Resposta by pessoa

Se te sinto na saudade, sinto-me ainda mais na ausência de quem seja dono de mim... Não se sente só a alegria de estar a sós...

"Ela canta, pobre ceifeira
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz à o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.

Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

“Fernando Pessoa”


Este poema de Pessoa no heterónimo de Alberto Caeiro, marca-me deste a primeira vez que o li... faz-me pensar se cada momento de conhecimento ou felicidade será uma pedra que iremos atirar a nós próprios nos momentos de solidão....

Música: http://www.youtube.com/watch?v=myO_gg2he7Y