30...
Encerro em mim memórias
em imagens que desenho
no escuro, que já não o é,
aos olhos fechados!
Encontro-te...
Encontro-me lá
em quem quero ser!
No espaço e no tempo
passado e futuro...
O que no presente não o sou,
A não ser apenas eu.
No eu tu não existes...
És lembrança
De um reflexo de amor próprio,
Que desenhei para mim!
Esperança
De inspiração obscura,
Que estará quando fechar os olhos!
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Némesis
Há dias em que pergunto o que terei visto em ti... para ficar preso tanto tempo nesse desatino... não tanto pelo que vivi (ou não) nesse tempo... mas por tudo o que sobrou de mim...
Hoje pergunto-me porque não te terei visto mais cedo... e se não me terias tu devolvido o tempo... e a parte de mim que perdi... ou que ainda não encontrei...
Quando fugires para seguires a tua vida... ou parares de fugir da vida... o que já devias ter feito há muito... eu vou ficar aqui... parado.. e sozinho... como me conheceste...
...na obsessão inexplicável de mim aos meus próprios olhos... onde me sinto inteiro... na paradoxal comiseração do eu... que revela que sou muito pouco do que pareço... e muito mais do que escondo...
...fosse eu os outros para entender e controlar o que toco... o que sinto... ou que penso... o que observo é-me muito mais claro do que o que sinto... sem o ego que me controla... com os olhos que me ensinam...
...o meu problema nunca foi o querer estar a teu lado... mas a necessidade egocêntrica que queiras estar ao meu... esse é o pecado que me consome... em oposição ao que mais admiro em ti...
...a liberdade dos afectos... na satisfação do momento... sem pensar mais além do que se vê... no fundo és a Némesis... que me castiga e fascina... o lado certo do errado de mim...
Hoje pergunto-me porque não te terei visto mais cedo... e se não me terias tu devolvido o tempo... e a parte de mim que perdi... ou que ainda não encontrei...
Quando fugires para seguires a tua vida... ou parares de fugir da vida... o que já devias ter feito há muito... eu vou ficar aqui... parado.. e sozinho... como me conheceste...
...na obsessão inexplicável de mim aos meus próprios olhos... onde me sinto inteiro... na paradoxal comiseração do eu... que revela que sou muito pouco do que pareço... e muito mais do que escondo...
...fosse eu os outros para entender e controlar o que toco... o que sinto... ou que penso... o que observo é-me muito mais claro do que o que sinto... sem o ego que me controla... com os olhos que me ensinam...
...o meu problema nunca foi o querer estar a teu lado... mas a necessidade egocêntrica que queiras estar ao meu... esse é o pecado que me consome... em oposição ao que mais admiro em ti...
...a liberdade dos afectos... na satisfação do momento... sem pensar mais além do que se vê... no fundo és a Némesis... que me castiga e fascina... o lado certo do errado de mim...
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Alter-ego
Nasci a acreditar que só se ama a perfeição... para não deixar de amar torno-te perfeita aos meus olhos... O meu pecado... amar-te como te imagino e exponencio... na ilusão... e aí és claramente menos do és...
...sem a surpresa e sem o encanto... sem a tua (in)genuinidade... apenas a (des)ilusão (minha) da vida ser diferente do que se sonha... da miopia... e do lado negro...
...um dia não vou querer amar-te... apenas estar ao teu lado... aprender de ti a vida... e viver-te mais do que o sonho...
...um dia não vou querer o sempre... nem o eterno... apenas o momento...
...um dia não vou querer o compromisso... apenas a liberdade de querer estar...
...hoje é o dia...
...um dia vou deixar de escrever... e passar a sussurrar-te ao ouvido... e entre o non-sense e um sorriso... virá a metamorfose do ego...
...sem a surpresa e sem o encanto... sem a tua (in)genuinidade... apenas a (des)ilusão (minha) da vida ser diferente do que se sonha... da miopia... e do lado negro...
...um dia não vou querer amar-te... apenas estar ao teu lado... aprender de ti a vida... e viver-te mais do que o sonho...
...um dia não vou querer o sempre... nem o eterno... apenas o momento...
...um dia não vou querer o compromisso... apenas a liberdade de querer estar...
...hoje é o dia...
...um dia vou deixar de escrever... e passar a sussurrar-te ao ouvido... e entre o non-sense e um sorriso... virá a metamorfose do ego...
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Ego...
Em ti não procuro quem me ame por aquilo que sou... mas sim por aquilo que imagino e quero ser... só assim me farás feliz...
Para angústia basta-me a de não o ser... por isso não leves também a ilusão... Porque em tudo o que sou está a essência do que me imagino... e aí sou claramente melhor do que eu...
Para angústia basta-me a de não o ser... por isso não leves também a ilusão... Porque em tudo o que sou está a essência do que me imagino... e aí sou claramente melhor do que eu...
domingo, 14 de março de 2010
Lisboa
Fico em Lisboa para estar mais perto de ti... sei que é aqui que estás... perdida de mim... Na solidão descubro a minha companhia... e aprecio a tua... enquanto desvendo Lisboa aos meus olhos... uma musa... tu... que aqui estás algures... perdida de mim...
(Por vezes da solidão e dos sonhos desperta-se em nós a luz de saber viver... aproveitando o que o mundo nos dá... mesmo quando julgamos que não é suficiente... e perceber que somos para os outros como eles são para nós... fontes de inspiração constante... por isso gosto de existir... gosto que tu existas... e tu... mesmo que não estejas... e tu que já estives... e a ti que não te conheço...
Se um dia alguém sorrir por mim... ou para mim (quanto melhor)... já valeu o facto de alguém um dia nos ter dado uma identidade... bem como todas as lágrimas que a ajudaram a criar nos entretantos de uns quantos sorrisos...)
(Por vezes da solidão e dos sonhos desperta-se em nós a luz de saber viver... aproveitando o que o mundo nos dá... mesmo quando julgamos que não é suficiente... e perceber que somos para os outros como eles são para nós... fontes de inspiração constante... por isso gosto de existir... gosto que tu existas... e tu... mesmo que não estejas... e tu que já estives... e a ti que não te conheço...
Se um dia alguém sorrir por mim... ou para mim (quanto melhor)... já valeu o facto de alguém um dia nos ter dado uma identidade... bem como todas as lágrimas que a ajudaram a criar nos entretantos de uns quantos sorrisos...)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Interlúdio
Sei do gostas em mim... procuras ver-me a tua sombra... um reflexo oposto ao que queres ver em ti... as resposta das tuas procuras... minhas... e que elas te salvem do reflexo que vês em mim... o meu lado negro que te permite brilhar...um caminho paralelo... separado na encruzilhada da escolha que nos uniu para sempre...
Eu sei que estás... mais do que poderia pedir... conheces-me as lágrimas só com uma palavra... deixas fugir o sorriso nas tuas... como se fosse a última... ou única coisa que existisse antes do teu abismo... ou do meu... porque no pêndulo confundimo-nos...
Eu sei que estás... mais do que poderia pedir... conheces-me as lágrimas só com uma palavra... deixas fugir o sorriso nas tuas... como se fosse a última... ou única coisa que existisse antes do teu abismo... ou do meu... porque no pêndulo confundimo-nos...
quarta-feira, 10 de março de 2010
Observações
Observo... é isso que faço a maior parte dos dias nesta fase da minha vida. O observo as pessoas que se deslocam no bulício da cidade... aqueles que todos os dias se sentam as minha volta para almoçar, todos os dias caras diferentes, desvendando-se uma vez por outra alguma mais familiar, e destes não oiço as conversas, limito-me a ler, interpretar e imaginar o que pensam, o que dizem, o que sentem... aqueles que se passeiam no ginásio dos quais estou alienado por força da música... aqueles com que me cruzo nas ruas e no trânsito... todos eles são dignos da minha observação, distante como se fosse uma massa quase inerte que se passeia no universo... sem interacção... sem pertencer... longe das confusões e desatinos de outras alturas... outras lutas... deixo apenas correr em mim o que o mundo me dá... fugindo para onde a imaginação me leva...
Diferente são aqueles que me entram no gabinete, a esses observo-os de outra forma, ouço as suas conversas, as suas histórias, sei o que sentem, acompanho a "estórias" da sua decadência... confidenciam-me alguns segredos... Observo... interajo profissionalmente e esforço-me por dar o melhor de mim... mas por outro lado fico distante... gravo e recordo as conversas... sinto-as nas minhas introspecções e catarse... imagino, projecto... tenho medo...
Hoje tive medo de acabar sozinho, quando entrei num corpo de 94 anos, imaginei o que seria, não que seja assim tão diferente por vezes da maneira como me sinto, mas a imagem de ver desabar tudo o que se constrói, a família, os amigos, o trabalho, a energia, a saúde, a vida... lentamente enquanto se fica como um pilar após um terramoto... sem estrutura... cada vez mais sozinho... à espera da última réplica, arrepia. Por outro lado senti a perfeição do ser humano, a sua capacidade de mudança e aceitação à ultima moratória... da alienação de que todo o dia pode ser o último, mas que pouco importa porque o que se perde é cada vez menos.
...Uma vez, um dos meus observados, alguém que não lhe identifiquei grandes estudos e filosofias além daquela que a vida lhe ia demonstrando (que convenhamos é na maioria das vezes mais precisa longe dos conhecimentos científicos), disse, literalmente - "Ó doutor nós somos uma máquina do caraças, isto quando é para ir vamos perdendo, vamos perdendo, até que nos vamos sem levar saudades disto.É verdade. Quando chegar à minha idade vai ver." - espero que sim caro amigo, mas dou-lhe desde já razão...
Todos os dias se repetem as "estórias", todas diferentes, vividas, contadas sentidas à maneira de cada um... isso dá-me gozo... da-me prazer cada vez que sei que vou conhecer uma nova pessoa... uma nova vida que observo e aprendo... diferente da exaltação do "ego" que geralmente me inspira... ou das musas que crio do nada... ou das coincidências... afinal andei distraído...
...Diferente são os outros que apenas observo... esses não me ensinam... iludem-me e obrigam-me a entrar em mim... querer respostas... perceber o mundo e as suas constantes... o que juntas as pessoas??? o que as move??? o "de onde vim e para onde vou..." e todas as perguntas que se repetem em "loop" a quem não se conforma em saber viver "apenas" com o que alcança... "quem anda com os pés um pouco levantados do chão"... mas essas são respostas que encontrarei, quem sabe, noutro contexto... quando perceber a essência da "perfeição" da máquina humana...
Mas tudo isto dá vontade, de plagiando a citação da última das musas platónicas que, com todas as outras, me tem inspirado nos últimos dias:
"(...)sugar todo o tutano da vida,
para um dia não descobrir que não vivi."
(Henry David Thoreau)
E todos os dias assim acordar...
Diferente são aqueles que me entram no gabinete, a esses observo-os de outra forma, ouço as suas conversas, as suas histórias, sei o que sentem, acompanho a "estórias" da sua decadência... confidenciam-me alguns segredos... Observo... interajo profissionalmente e esforço-me por dar o melhor de mim... mas por outro lado fico distante... gravo e recordo as conversas... sinto-as nas minhas introspecções e catarse... imagino, projecto... tenho medo...
Hoje tive medo de acabar sozinho, quando entrei num corpo de 94 anos, imaginei o que seria, não que seja assim tão diferente por vezes da maneira como me sinto, mas a imagem de ver desabar tudo o que se constrói, a família, os amigos, o trabalho, a energia, a saúde, a vida... lentamente enquanto se fica como um pilar após um terramoto... sem estrutura... cada vez mais sozinho... à espera da última réplica, arrepia. Por outro lado senti a perfeição do ser humano, a sua capacidade de mudança e aceitação à ultima moratória... da alienação de que todo o dia pode ser o último, mas que pouco importa porque o que se perde é cada vez menos.
...Uma vez, um dos meus observados, alguém que não lhe identifiquei grandes estudos e filosofias além daquela que a vida lhe ia demonstrando (que convenhamos é na maioria das vezes mais precisa longe dos conhecimentos científicos), disse, literalmente - "Ó doutor nós somos uma máquina do caraças, isto quando é para ir vamos perdendo, vamos perdendo, até que nos vamos sem levar saudades disto.É verdade. Quando chegar à minha idade vai ver." - espero que sim caro amigo, mas dou-lhe desde já razão...
Todos os dias se repetem as "estórias", todas diferentes, vividas, contadas sentidas à maneira de cada um... isso dá-me gozo... da-me prazer cada vez que sei que vou conhecer uma nova pessoa... uma nova vida que observo e aprendo... diferente da exaltação do "ego" que geralmente me inspira... ou das musas que crio do nada... ou das coincidências... afinal andei distraído...
...Diferente são os outros que apenas observo... esses não me ensinam... iludem-me e obrigam-me a entrar em mim... querer respostas... perceber o mundo e as suas constantes... o que juntas as pessoas??? o que as move??? o "de onde vim e para onde vou..." e todas as perguntas que se repetem em "loop" a quem não se conforma em saber viver "apenas" com o que alcança... "quem anda com os pés um pouco levantados do chão"... mas essas são respostas que encontrarei, quem sabe, noutro contexto... quando perceber a essência da "perfeição" da máquina humana...
Mas tudo isto dá vontade, de plagiando a citação da última das musas platónicas que, com todas as outras, me tem inspirado nos últimos dias:
"(...)sugar todo o tutano da vida,
para um dia não descobrir que não vivi."
(Henry David Thoreau)
E todos os dias assim acordar...
Subscrever:
Mensagens (Atom)